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As cores são usadas pelo artista [iconógrafo] com o objetivo de separar o Céu de nossa existência terrena. Aí está a chave que permite compreender a beleza inefável da simbologia do ícone». (Eugénio Troubotzkoï)
O ícone é a representação da mensagem cristã descrita por palavras nos Evangelhos. Trata-se de uma criação bizantina do século V, aquando da oferta de uma representação da Virgem, atribuída pela tradição a São Lucas.
Após a queda de Constantinopla em 1453, foi a população dos Balcãs que contribuiu para difundir e incrementar a produção desta representação sacra, sendo na Rússia o local onde assume um significado particular e de grande importância.
Como na maioria das representações sacras, a cor no ícone assume uma importância fundamental para expressar a intenção do pintor. O azul é a cor da transcendência, mistério divino. O vermelho, sem dúvida a cor mais viva presente nos ícones, é a cor do humano e do sangue dos mártires. O verde é usado como símbolo da natureza, da fertilidade e da abundância. O castanho simboliza o terrestre, o humilde e pobre e o branco é a harmonia, a paz, a cor do divino que representa a luz que se avizinha.
O homem, desde as suas origens, contempla com admiração a dourada luz do sol, presumindo que tivesse a sua origem na divindade. Nos ícones, todos os fundos estão cobertos desta cor, o que é possível conseguir aplicando folhas de ouro que são polidas até conseguir seu brilho máximo.
Na iconografia bizantina representa-se a luz de Deus, qualquer figura representada neles está plena da luz divina.
Este que vos apresento faz parte da minha colecção e foi pintado à mão, sobre madeira sagrada e folha de ouro.